No começo do século XX a lógica de funcionamento da escola era ensinar a todos como se fosse um só. Utilizava uma pedagogia coletiva, um modelo único incapaz de atender às diferenças, havia um isomorfismo do ensino e da aprendizagem.
Existia a homogeneização dos alunos, as disciplinas eram concentradas, como se todas as disciplinas, tivessem um só programa, um só livro e apenas um professor.
Houve a necessidade da reformulação da organização escolar. As inovações na educação proveniente da Europa e dos Estados Unidos foram colocadas em prática nos estados economicamente mais prósperos, como São Paulo, servindo de referência e modelo. A criação de níveis escolares, como a escola maternal e os jardins de infância, a divisão das escolas primárias em simples e intermediárias e a implantação do ensino seriado, entre outras medidas, evidenciaram a influência estrangeira no modelo paulista. A necessidade de formar professores para atuarem no ensino primário foi preocupação constante das autoridades em relação à Escola Normal, que, afinal, tornada independente em 1922, pôde desenvolver, dai em diante, uma melhor orientação pedagógica. O quadro de escolas, tanto públicas como particulares, apesar de restrito, completava-se na segunda década do século XX, compondo-se de escolas de nível primário, secundário, profissionalizante, técnico e superior.
Um dos principais e visíveis efeitos da expansão do ensino público e de boa qualidade (segundo padrões das elites brasileiras) foi o ingresso de estudantes oriundos das baixas camadas médias e do proletariado nas universidades públicas, sobretudo das grandes cidades, praticamente vedado aos trabalhadores até a primeira metade do século XX. Por outro lado, os estudantes oriundos das escolas públicas enfrentavam exames de seleção para a entrada no primeiro ciclo do curso secundário. Esta passagem já excluía a maior parte dos pretendentes à continuação dos estudos visando ao futuro ingresso nas universidades públicas.
Apesar das limitações acima, aumentou a presença de filhos das classes sociais mais pobres nas universidades, sempre maior a partir da década de 50 e, sobretudo, nos anos 60, refletindo, pois, a obra educacional da primeira “Era Vargas", pós-reforma Capanema. Esta abriu oportunidades de formar quadros qualificados profissionalmente através de uma controlada expansão da rede pública de ensino, formando a chamada "elite da competência". As camadas populares urbanas ao poder educarem-se e aos seus filhos, tiveram oportunidades de ascender socialmente, através da educação, e colaborar para a formação de quadros dirigentes, lideranças políticas e sindicais, capazes de desmistificar as práticas paternalistas e autoritárias reinantes até então, num grande e desigual país de tradição escravista no enfoque do trabalho.
Atualmente, as escolas têm o grande desafio de formar o Novo Cidadão para o Novo Mundo. Para além de adaptar, no sistema de ensino e aprendizagem, a nova metodologia por competência em substituição a metodologia objetivista tradicional, as escolas devem melhorar o seu sistema de gestão e reestruturar as condições materiais que proporcionam como suporte aos processos educativos. Para as escolas funcionarem neste tipo de ensino por competências requer que haja grandes investimentos. Isto porque as salas de aula passam a ser espaços de produção de artefatos e de realização de experiências, abandonando cada vez mais o método de “giz e quadro”.
Nenhum professor pode implementar as novas estratégias de ensino e de aprendizagem se não contar com Escolas com bibliotecas amplamente equipadas e atualizadas, com laboratórios e oficinas com espaços e infra-estruturas físicas adequados, com um número reduzido de alunos em cada turma, com laboratórios de informática e com ligação a Internet.
Para além dessas condições materiais, uma escola que pretende desenvolver competências nos seus alunos e prepará-los para lidar com os problemas da sociedade deve também ser um estabelecimento que promove a cultura reflexiva, isto é, deve ser uma “escola reflexiva”, aquela que “pensa continuamente em si própria, na sua missão social e na sua organização. Está sempre em desenvolvimento. É aprendente e ensinante. Portanto, uma Escola Reflexiva é aquela que tenta constantemente identificar seus pontos fortes e fracos e em conseqüência adaptar medidas com a finalidade última de melhorar a qualidade do ensino. Nesse sentido deve promover a prática reflexiva entre os membros da sua comunidade, propiciar a troca de idéias, incentivar métodos de estudos inovadores, incentivar as visitas de estudo e o ensino orientado por projetos, incentivar a pesquisa. Os estabelecimentos de ensino devem ainda estar abertos à sociedade e à comunidade onde se inserem, devem estar atentas aos problemas da sociedade para poderem preparar os seus alunos para resolvê-los, devem estabelecer contatos sistemáticos com o mercado através de pesquisas, trocas de serviços e contatos diretos com profissionais, contatos sistemáticos com outras instituições irmãs para troca de experiências pedagógicas e de gestão.
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